Quando se fala em uma literatura contemporânea costuma-se falar sobre rupturas, novas tendências, neo isso, neo aquilo, e, embora se tenha rotulado vários escritores de contemporâneos é preciso saber primeiro que a contemporaneidade literária nada mais é do que o reconhecimento de certa literatura com a população, intelectual ou não, de uma época. O que vem sendo tratado pelos críticos literários como uma certa perda dos valores clássicos-literários, pois como sabemos, muitos deles não se preocupam tanto em analisar a poesia ou prosa contemporânea, preferindo dar mais ênfase nos trácicos cânones, criando assim uma espécie de anomalia espaço-temporal, onde os romances modernos não existem.
Pelo motivo supracitado é tão difícil se encontrar informações sobre a prosa comtemporânea deste ou daquele país, em relação ao nosso caso no que concerne à prosa portuguesa contemporânea. Mas, apesar do esforço dos críticos para fazer com que desapareça por completo essa geração, vamos nos ater a falar um pouco sobre alguns estilos mais conhecidos do momento português no que diz respeito à prosa portuguesa contemporânea.
Para se fazer tais estudos, tomamos dois autores como centro deste trabalho, José Saramago e Augustina Bessa-Luís, juntos ajudaram a quebrar certos paradigmas da preservação de uma literatura clássica a fim de que se construísse uma renovação literária com focos de cunhos, digamos assim, diferentes mas, ao mesmo tempo, revolucionários, o neo-realismo e o romance psicossosial.
Saramago, conta com uma espécie de romance moderno onde mescla a ideia de romance péssimo-realista com uma espécie de, como fez Fernando Pessoa, prosa poético-filosófica, versando sobre os mais diversos temas, desde fatores mais centrados na realidade sociológica e existencial, o que faz no romance “Ensaio sobre a cegueira”, até obras mais polêmicas que versam sobre a religião, em especial no livro “O evangelho segundo Jesus Cristo”, fazendo quase sempre alusões sarcásticas e/ou satíricas como se é próprio dos textos literários portugueses.
Já Augustina Bessa-Luís nos mostra um outro pólo do romance português atual, com sua espécie de narrativa psicológica em junção com as suas denúncias sociais, acaba sendo segundo o próprio Saraiva, um dos maiores estudiosos da literatura portuguesa, uma das melhores coisas que poderia acontecer na literatura lusitana desde o insuperável Fernando Pessoa, além disso, suas obras nos fazem lembrar de uma autora por demais conhecida aqui no Brasil e que também inovou e até digamos, assemelha-se muito à autora lusitana, Clarice Lispector, que, como Augustina faz em suas obras, também colocava o leitor em um espaço ficcional onde seu ângulo de visão é de dentro do personagem para fora do mesmo.
Dois pólos como se pode ver, quase que totalmente avessos, embora a ideia de revolução textual, seja ela de forma inconsciente ou não, nos remete ao cenário heterogêneo que é o mundo pós-moderno, não só em Portugal, como em âmbito mundial, o que fica como sugestão desde já para que tais prosas não sejam esquecidas nem deixadas de lado a favor de uma preservação clássica errônea e altamente hierarquizada, como a que está acontecendo no universo literário.
3 comentários:
Parabéns pelo blog!
Valeu, obrigado por me ler!
Caro amigo Ramon,
Gostei do seu artigo, pois é de alguém que está por dentro da literatura portuguesa, sendo sensato e realista na critica que faz.
Saramago é para mim uma referência, alguém que agitou as "águas" literárias e rompeu com o paradigma da escrita portuguesa contemporânea. Alguém que tocou os leitores como nunca...um dia Saramago disse "Escrevo para desassossegar os leitores" e é bem verdade!
Um abraço poético e boas criticas!
José Guerra
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